Como escolher o aço-silício ideal para cada tipo de transformador

O núcleo magnético é a espinha dorsal de qualquer transformador. É nele que o campo magnético alternado gerado nos enrolamentos primários se concentra, transferindo energia para o circuito secundário. Por isso, o desempenho e a eficiência de um transformador dependem diretamente da qualidade e do tipo de aço-silício utilizado na construção dessas lâminas magnéticas.

O aço-silício — também conhecido como aço elétrico — é um material desenvolvido especialmente para aplicações eletromagnéticas. Sua principal função é conduzir o fluxo magnético com o mínimo possível de perdas e aquecimento, convertendo energia elétrica em energia magnética (e vice-versa) de forma controlada e eficiente.

Entretanto, nem todo aço-silício é igual. Cada variação do material — orientado ou não orientado, com diferentes espessuras e tratamentos superficiais — apresenta comportamento magnético distinto, afetando diretamente:

  • As perdas magnéticas (histerese e correntes parasitas);
  • O nível de ruído e vibração do núcleo;
  • A densidade de fluxo magnético suportável antes da saturação;
  • A eficiência energética e a estabilidade térmica do transformador.

Além disso, a geometria da lâmina (EI, C, toroidal, step-lap, etc.) e o processo de corte, isolamento e empilhamento influenciam fortemente o fluxo magnético e o comportamento acústico do conjunto.

Por isso, escolher o aço-silício ideal não é uma decisão genérica. Cada tipo de transformador — monofásico, trifásico ou toroidal — possui particularidades magnéticas e mecânicas que exigem atenção técnica.

Tipos de aço-silício e suas aplicações

Existem dois grandes grupos de aço-silício usados em núcleos de transformadores:

Aço não orientado (NGO — Non Grain Oriented)

  • Estrutura cristalina dispersa, sem direção magnética preferencial.
  • Propriedades magnéticas semelhantes em todas as direções.
  • Ideal para motores elétricos, geradores e aplicações dinâmicas, onde o campo magnético muda de direção constantemente.
  • Possui custo mais acessível, mas maior perda por histerese em comparação ao aço orientado.

Aço orientado (GO — Grain Oriented)

  • Os grãos metálicos são alinhados durante a laminação a frio, otimizando o fluxo magnético em uma direção preferencial.
  • Apresenta menores perdas por histerese e menor magnetostricção (reduz ruído e vibração).
  • É o tipo mais utilizado em transformadores de potência e distribuição, onde o fluxo magnético é unidirecional.
  • A evolução do GO deu origem a versões de alta eficiência, como Hi-B (High Permeability) e Super-Hi-B, com perdas ultrabaixas (≤ 0,90 W/kg a 1,7 T / 50 Hz).
    (sources: Nippon Steel, POSCO, GNEE Steel, Wikipedia)

👉 Resumo prático:

  • Para transformadores de baixa potência, o aço GNO (Grain Non-Oriented) pode ser suficiente.
  • Para transformadores de média e alta eficiência, o GO (Grain Oriented) é essencial.

Espessura da lâmina: o equilíbrio entre perdas e custo

A espessura da lâmina influencia diretamente as perdas por correntes parasitas (eddy currents). Quanto mais fina a lâmina, menor o caminho disponível para essas correntes circularem, reduzindo o aquecimento e aumentando a eficiência do núcleo.

Comparativo técnico:

Espessura (mm)TipoPerdas Magnéticas*Aplicação Comum
0,35GOPadrão industrial tradicionalTransformadores gerais
0,27GOReduz perdas ≈ 15 %Transformadores de alta eficiência
0,23GO / Hi-BReduz perdas ≈ 25 %Equipamentos de precisão, toroidais
0,18Super-Hi-BPerdas ultrabaixas (< 0,75 W/kg)Transformadores especiais

*Valores médios para densidade de fluxo de 1,7 T / 50 Hz — fontes: Powersystems Technology, GNEE Steel.

A desvantagem das lâminas ultrafinas é o custo e a complexidade de manuseio. Elas exigem equipamentos de corte de precisão, controle de rebarbas e processos de isolamento entre lâminas extremamente uniformes.

Por isso, a espessura ideal deve equilibrar eficiência, custo e capacidade de produção.

Geometria da lâmina e formato do núcleo

A forma geométrica das lâminas define como o fluxo magnético circulará pelo núcleo e quanto ruído será gerado.

Núcleo tipo EI (monofásico tradicional)

  • Utiliza lâminas com formato “E” e “I” encaixadas.
  • É o formato mais comum e econômico.
  • Fácil de montar e desmontar, mas possui mais juntas magnéticas, que aumentam ligeiramente as perdas e o ruído.

Núcleo tipo C-core (ou núcleo fechado)

  • Produzido a partir de faixas contínuas de aço enroladas e cortadas.
  • Menor dispersão de fluxo e menos juntas.
  • Mais silencioso e eficiente, usado em transformadores trifásicos compactos ou aplicações sensíveis a ruído.

Núcleo toroidal

  • Formato circular sem juntas de emenda, o que garante fluxo magnético contínuo e perdas mínimas.
  • Exige aço de alta qualidade (GO ou Hi-B) e grande precisão no corte.
  • É o tipo mais eficiente e silencioso, porém de fabricação mais complexa e custo mais alto.

👉 Resumo prático:

  • EI = versatilidade e custo menor.
  • C-core = equilíbrio entre eficiência e praticidade.
  • Toroidal = máxima eficiência e mínimo ruído.

(Fontes: CHBEB Electrical, Mecalux Blog)

Relação entre material e tipo de transformador

Transformadores Monofásicos

  • Geralmente menores e mais simples, exigem equilíbrio entre custo e eficiência.
  • O aço-silício orientado de 0,27 mm ou 0,30 mm oferece bom desempenho.
  • Núcleos EI com montagem step-lap reduzem ruído e perdas.

Transformadores Trifásicos

  • Exigem simetria magnética perfeita entre as três colunas.
  • Aço-silício orientado de alta permeabilidade (Hi-B) é o mais indicado.
  • Geometria step-lap nas junções é essencial para suavizar a passagem do fluxo entre fases, reduzindo magnetostricção e ruído.

Transformadores Toroidais

  • Núcleo contínuo sem emendas → menor perda e menor emissão acústica.
  • Aço orientado ultrafino (0,23 mm ou 0,18 mm) proporciona altíssima eficiência.
  • Indicado para equipamentos de precisão, transformadores de medição e aplicações de baixo ruído.

Fatores complementares que influenciam o desempenho

Além da espessura e geometria, outros detalhes do processo de fabricação impactam diretamente a performance magnética:

  • Rebarbas e cortes irregulares: causam pontes condutivas entre lâminas e aumentam perdas. O controle de rebarbas é um diferencial da Novello.
  • Isolamento entre lâminas: a aplicação de verniz isolante adequado impede correntes parasitas sem prejudicar o fluxo magnético.
  • Tratamento térmico (recozimento): restaura a estrutura cristalina e melhora a permeabilidade após o corte.
  • Fator de empilhamento: quanto maior o aproveitamento do volume útil do núcleo (menor fração de ar), maior a eficiência.
  • Direção de laminação correta: em aço orientado, o corte deve seguir o eixo de laminação para garantir o fluxo ideal.

Conclusão

A escolha do aço-silício ideal para transformadores é uma decisão técnica e estratégica.
Ela precisa considerar tipo de transformador, geometria, espessura e acabamento, equilibrando eficiência, custo e praticidade de produção.

Em resumo:

  • Monofásico: aço orientado padrão (0,27–0,30 mm) + núcleo EI com bom acabamento.
  • Trifásico: aço Hi-B (0,23–0,27 mm) + núcleo step-lap para reduzir ruído.
  • Toroidal: aço orientado ultrafino (≤ 0,23 mm) + fluxo contínuo para máxima eficiência.

Com expertise em aço-silício GNO e GO, a Novello garante o fornecimento de lâminas, carretéis e bornes com alto padrão técnico e controle dimensional rigoroso, assegurando transformadores mais silenciosos, eficientes e duráveis.

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